“Numa dinâmica de grupo foi-nos pedido para falar da família e de como foi o nosso ambiente familiar. Como já não tenho família, e é para mim muito doloroso pensar nisso, quis logo pôr-me à parte e fiz questão de não participar. É verdade… há muito tempo que não tenho família, e depois de a perder, perdi também toda a herança deixada por ela.

Cheguei à Comunidade com uma pequena mala de roupa e completamente despido de esperança. Aqui foi-me dito que havia esperança para mim, que poderia reconstruir a minha vida. Então eu pensei: como vou poder fazê-lo a partir do nada? Que bom seria ter só uma pequena parte daquela herança! Aí procurei bem para ver se tinha restado alguma coisa, procurei, procurei, e quando já estava convencido de que não tinha restado nada, eis que encontrei uma grande mala tão cheia que parecia querer rebentar. Abri a mala e o que estava lá dentro brilhava tanto que a sua luz iluminou toda a sala. Não, não era ouro o seu conteúdo, nem ouro nem qualquer outro bem material. Aquela mala estava cheia de bens espirituais e valores morais, de exemplos de vida conseguidos com muito sacrifício, fé e coragem.

É verdade que já não tenho família, mas ela continua a ser o meu bem maior, o meu tesouro. Afinal, poderia e deveria ter participado naquela dinâmica de grupo…”